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quinta-feira, 16 de julho de 2009

A princesa e o Plebeu - Roman Holiday


Direção: William Wyler
Roteiro: Ian McLellan Hunter e John Dighton, baseado em estória de Dalton Trumbo
Produção: William Wyler
Música Original: Georges Auric
Fotografia: Henri Alekan, Franz Planer
Edição: Robert Swink
Direção de Arte: Hal Pereira, Walter Tyler
Figurino: Edith Head
País: USA
Gênero: Comédia, Romance
Quem acha que Sabrina é o filme mais bonito de Audrey Hepburn está completamente enganado. A pérola na carreira da atriz pode ser considerada “A Princesa e o Plebeu”, um conto de fadas as avessas, onde uma linda princesinha entediada com sua rotina parlamentar resolve fugir e se divertir em uma visita que faz a Roma.
A jovem princesa Ann (Audrey Hepburn) consegue burlar a segurança do palácio em que

está e foge para viver um dia como uma pessoa normal. Nisso a jovem conhece o charmoso fotografo Joe Bradley (Gregory Peck) que de inicio não reconhece a princesa e chega até achar que a moça não passa de uma maluca perdida em Roma.
A jovem nobre acaba por se hospedar no humilde quarto do jornalista e já de início realiza um de seus sonhos, dormir de pijamas como qualquer jovem de sua idade.
Logo que Joe descobre quem é sua hospede bola um plano de registrar todos os passos da princesa e conseguir um grande furo jornalístico. O que o Joe não contava porém, é que acabaria por se apaixonar por Ann.
Como já dito antes várias vezes em comentarios de filmes, se os produtores da película soubessem exatamente o que tinham em mãos mudariam o nome do filme de Princesa e o Plebeu para Nasce Uma Estrela. Audrey Hepburn que até então era praticamente uma desconhecida aparecendo apenas em alguns papeis de européia em uma montagem da Broadway se encaixou como uma luva como a jovem, bela e encantadora princesa Ann. A história de Audrey nesse filme foi a de uma Cinderela transformada em realidade.
Gregory Peck está muito charmoso como repórter que a primeira vista so quer um

grande furo mas que se arrepende ao descobrir que se apaixonara pela jovem princesa.
Sabendo que ambos só terão aquele dia juntos os dois procuram aproveita-lo ao máximo.
Peck e Hepburn estão excelentes como casal improvável e Eddie Albert como entusiasmado cinegrafista amigo de Peck que sabe de toda história e procura registrá-la por meio de uma mini-câmera em forma de um isqueiro.

O filme foi todo filmado em Roma e os pontos turísticos ajudaram dar um ar mais romântico a história de amor.
Pontos altos do filme estão contidos na direção do conceituadíssimo Willian Wyler, no roteiro extremamente divertido de Dalton Trumbo que estava na lista negra do cinema na época. Trumbo fez parte do Hollywood Ten, um grupo de profissionais da indústria cinematográfica que se recusou a testemunhar perante a comissão parlamentar de inquérito montada em 1947 para averiguar supostos envolvimentos comunistas. Na época Hollywood vivia assombrada pela Macarthismo.
Devido ao seu envolvimento com que o que o governo americano considerava subversivo, passou-se anos até Trumbo poder finalmente receber os créditos por ter ajudado a fazer um filme tão magnífico.
Audrey Hepburn depois desse filme foi escalada para o papel de ingênua muitas outras vezes em sua carreira, mas foi esse filme que marcou de forma oficial e promissora sua chegada a Hollywood.

Vale destacar que a elegância de Hepburn está impar como sempre, sua postura condiz com o que a jovem era: filha de banqueiro britânico-irlandês e de uma baronesa neerlandesa descendente de reis ingleses e franceses.
De acordo com filho de Audrey Hepburn, Sean, os filmes favoritos da atriz foram Uma cruz à beira do abismo (por sua mensagem social) e Cinderela em Paris (por ter se divertido muito nas filmagens deste). No entanto, ela havia declarado numa entrevista à Barbara Walters que A princesa e o plebeu era o filme mais querido dela.
Destaco ainda a perspicácia de Peck ao sugerir que o nome de Audrey viesse logo após o título do filme devido à indicação da atriz iniciante ao Oscar com apenas 24 anos. Além desse prêmio Audrey receberia pelo filme um Globo de Ouro e o Prêmio da Academia Britânica

O grande Frank Capra chegou a cogitar em dirigir o filme mas queria Elizabeth Taylor como Ann, não a tendo acabou por abortar os planos. Wyler também tinha outra favorita para o papel da princesa, o diretor queria Jean Simmons e quando soube que a mesma não poderia atuar em A Princesa e o Plebeu também pensou em canelar a produção. Na cena de despedida da princesa Ann e Joe, Audrey não consegui derramar lagrimas necessárias para a compor a cena, porem, depois de uma dura de Wyler se desmanchou em prantos e a cena foi composta com sucesso.
Segundo comenta-se, Cary Grant faria o papel do jornalista Joe, mas desistiu do papel ao perceber que o destaque do filme seriam Audrey Hepburn. Foi, então que Gregory Peck que jamais recusou qualquer trabalho no cinema acabou se tornando o cativante do jornalista Joe.

Muitos não sabem, mas a filha do diretor Wyler faz uma ponta no filme, ela é a jovem estudante que está com um grupo de colegas de escola quando o jornalista Joe tenta roubar-lhe a câmera para registrar cenas de Ann.
A receita de “A Princesa e o Plebeu” já foi copiada em dezenas de outros filmes do gênero, mas em nenhum outro conseguiu captar tanta beleza, glamour e singeleza como a obra de Wyle.
Diálogo de despedida da princesa Ann com Joe:
Devo deixá-lo agora.
Vou andar até esquina.
Depois virar.
Fique no carro e vá embora.
Quero que prometa que não vai olhar
depois que virar a esquina.
Dirija o carro e deixe-me
Como eu vou deixá-lo.
Eu não sei dizer adeus
.”


Download de " A Princesa e o Plebeu"

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terça-feira, 19 de maio de 2009

" O Morro dos Ventos Uivantes" - Wuthering Heights


Assisti dois filmes sobre uma das histórias mais densas, complexas e cheia de amor e ódio de todos os tempos, “O Morro dos Ventos Uivantes”. Desde sua origem, no século XIX essa obra literária é polêmica. Sofreu críticas inúmeras na época em que foi escrita, afinal mostra a degradação de duas famílias em todos os sentidos e níveis possíveis. É interessante ressajltar, que mesmo sendo uma obra literária intensa e que perdura por séculos a autora do clássico escreveu apenas este livro. A história é tão marcante que já passou por quatro adaptações diferentes. Assisti apenas duas destas filmagens, uma de 1939 dirigida por William Wyler, onde Laurence Olivier é Heathcliff e Merle Oberon é Catherine Earnshaw . A outra é de 1992 mais completa porém achei menos cativante. Onde Juliette Binoche é Catherine Earnshaw e Ralph Fiennes é Heathcliff.
Mesmo narrando apenas uma parte da história, O morro dos Ventos Uivantes” de 1939 é mais poético, doce, triste e ao mesmo tempo melancólico, que “O Morro dos Ventos Uivantes” de 1992.
A forma como Laurence Olivier demonstra ser Heathcliff é muito mais intensa que Ralph Fiennes . Você vê a angústia de ser dominado por sentimentos inexplicáveis expressa em seu semblante, nos seus movimentos e em seu tom de voz. Já Ralph Fiennes mostra um Heathcliff menos marcante. Vendo os dois filmes, acabei também comparando a atuação de Juliette Binoche com a de Merle Oberon que demonstra muito mais as características que Catherine deveria ter segundo a obra literária ou seja, a de uma Jovem mimada, de espírito livre, que ama Heathcliff tanto quanto ele a ama, porém não o considera digno de que seja seu marido.
Não estou fazendo crítica em momento algum aos trabalhos de Juliette Binoche ou Ralph Fiennes(aliás, quem sou eu para isso). Só acho que Laurence Olivier e Merle Oberon me cativaram mais.
vale ressaltar que o filme de 1939 foi Indicado a oito Oscars, incluindo o de “Melhor Filme do Ano”, mas levou somente a estatueta de “Melhor Fotografia em Preto-e-Branco”, perdendo a maioria dos prêmios para “ ...E o Vento Levou".